sexta-feira, maio 22, 2009

Amigos do Pedal á conquista de Portalegre


Já fazia 2 anos que desejava visitar a Meca das maratonas em Portugal, mas as coisas não estavam fáceis, foi então que no dia 1 de Janeiro do presente ano lá me decidi a fazer a dita inscrição e convenci também mais 3 a fazê-lo. Nesse mesmo dia já andavam todos de volta do site dos ases do pedal, pensava-mos nós que as inscrições iam durar muito mas a verdade é que no dia 2 já as mesmas estavam a encerrar por ter sido atingido o limite de inscrições.
Começou então a incansável espera primeiro pelos míticos equipamentos e dorsais e depois pelo dia da maratona, mas como novos nestas andanças lá nos tinha-mos esquecido de um pequeno pormenor que era onde íamos dormir, quando começamos a procurar alojamento já tudo estava ocupado e foi então que um colega nos liga a dizer que tinha disponível um quarto triplo em Chancelaria a +- 30 km de Portalegre, aceitamos de imediato pois os outros membros já estavam alojados e faltavam 3 para alojar. Preparados os detalhes restava então esperar pelo mítico desafio, aproveitando para treinar um pouco e ainda verificar detalhes de equipamentos e preparar as revisões das mulas para o dito dia. Eis que chega o dia 1 de Maio véspera da maratona e como tal todos os preparativos logo pela manhã, pois havíamos marcado a partida de Torres Vedras para as 2 da tarde, as bicicletas não nos preocupavam pois tinham transporte assegurado numa carrinha para o efeito e já estavam entregues desde a véspera, mas faltavam as luvas, capacete, produtos de higiene, camelbacks e roupas, o que levava a um desesperante reverificar tudo varias vezes para ver se não faltava nada. Posto tudo a jeito lá nos encontramos todos em Torres Vedras prontos para o arranque, iniciamos então marcha pela A8 em direcção à bela terra que dava pelo nome de Chancelaria, onde iríamos ficar alojados no centro equestre Cavalariça de Chancelaria, um local muito agradável, que para além dos cavalos dispunha também de uma bela explanada e piscina.
Chegados ao local fomos de imediato dar entrada na hospedaria de modo a deixarmos tudo preparado para a noite e seguimos de imediato para Portalegre para fazer um reconhecimento prévio do local de partida, dos banhos e da secretaria, pois tinha de ir ainda levantar as luvas que estavam em falta no meu pack. Fizemos o reconhecimento e partimos então á busca de um local para jantar, pois tinham-nos avisado que por ser feriado muitos restaurantes estavam fechados. Bem no centro histórico de Portalegre encontramos o local ideal, a Cervejaria Santos, com uma bela esplanada á nossa espera, e não esperamos muito para nos instalar na esplanada. Foi então que decidi-mos provar algumas das iguarias que ofereciam como a salada de polvo e a linguiça frita com farinheira, para acompanhar um tinto aconselhado pela casa o “Trindade” e acabando as entradas passa-mos para o prato principal o porco preto grelhado uma verdadeira iguaria. Acabando a degustação fomos dar uma bela volta pela cidade, passeando a pé conhece-mos algumas das ruas históricas e aproveitamos também para beber um cafezito num dos bares da cidade. A noite já estava a avançar e nós tínhamos de ir descansar para o dia seguinte, mas não iríamos dormir sem antes aproveitar a noite agradável e beber uma cervejinha na esplanada da cavalariça. Seguimos então para o quarto mas a agitação era muita e como tal praticamente não dormimos.
Passadas algumas horas já estávamos de pé a vestir os equipamentos eram cerca de 6 horas da manhã e poucos minutos depois já estava-mos de volta do pequeno-almoço, pois ainda tínhamos de viajar até Portalegre e ir buscar as bicicletas. Já em Portalegre lá pegamos nas bicicletas e no equipamento e dirigimo-nos para o Km0 de forma a passarmos pelo controlo e dirigirmo-nos para a meta de partida. Às 9 era dado o sinal de arranque e lá iniciávamos lentamente a marcha em direcção ao ip onde o pelotão iria alongar e permitir que quando chegássemos ao terreno não houvesse grandes engarrafamentos, ao fim de pouco mais de uma dezena de km lá iríamos entrar no mato, havendo alguns engarrafamentos mas nada de especial, já se começava a ver a belíssima paisagem da zona, circulava-se inicialmente por estradões onde se conseguiam atingir velocidades agradáveis, mas por pouco tempo pois estávamos a chegar á zona onde a pedra era rainha e onde ao menor descuido lá se ficava sem câmara de ar ou sem pneu, e não foram poucas as vitimas do rigor da montanha. A progressão no terreno começava a ser feita mais lentamente pois as subidas iam aumentando de dificuldade tanto técnica como física, tornando-se um verdadeiro teste aos treinos de pré-maratona, a que seja-mos sinceros muitos falharam e como tal S.Mamede não perdoou e dai forneceu umas caimbras para os infiéis. A subida continuava até ao alto das antenas e a temperatura também não ajudava, mas por sorte os abastecimentos estavam bem equipados e havia bastante combustível para o pessoal do pedal, ao chegar perto das antenas já era longa a fila de pessoal apeado, mas saber que depois seria a descer fazia nascer novas forças onde já pensávamos que não existissem e lá chegamos então ao topo onde nos esperava um carregamento de laranja e uns bolitos apetitosos. Mais um ponto de controlo o 3º e lá seguíamos pelo monte abaixo, mas por pouco tempo pois o caminho estava interrompido pelo helicóptero de socorro pois havia um colega que estava mal tratado derivado a um descuido, pois as descidas não perdoavam distracções ou excessos. Aproveitávamos a descida também para apreciar a lindíssima vista e lá seguíamos ora por estradão ora por uns singles espectaculares, mas mais á frente mais um colega magoado em uma queda, e a pedra não facilitava, provocando cortes e escoriações não deixando ninguém indiferente, mas já com o colega a ser tratado lá continuávamos viagem em direcção a Portalegre e depois de umas pequenas subidas lá estava o ultimo Ponto de controlo a +-5 Km de Portalegre onde depois era só acelerar por monte abaixo até á meta final onde estavam concluídos os aproximadamente 54 km da meia maratona. A recessão foi calorosa e assim que controlavam o tempo retirávamos uma bolinha do sorteio mas a sorte não me sorriu, mas não fiquei triste porque me esperava um saco com um néctar de pêssego, uma garrafa de água e a cereja no topo do bolo era a deliciosa sandes de presunto, mas antes de iniciar a degustação passei pelo stand da Isostar para beber um copo de bebida isotónica de forma a recuperar as forças. Depois segui então para o parque da partida para larga a bicicleta e pegar nas roupas de forma a tomar um belo banho, que acabaria por descobrir que a água estava um pouco fria mas por sorte como o dia estava quente e até o banho frio soube bem. Banho tomado seguia então para o almoço com o pessoal e não demorou muito até nos sentarmos e apreciarmos os pastelinhos de bacalhau, as rodelas de chouriço e o pão. Era então que era servida a sopa de cação que estava divinal e depois vinha então a esparguete com o lombo fatiado, esta ultima não estava assim nada de especial, mas com a fome a apertar lá saiu o prato vazio. Depois de consumidas as últimas bolhinhas de cerveja passamos então para o pudim com o café a encerrar as honras.
Foram 2 dias inesquecíveis de confraternização e alegria.
Deixo só aqui o desejo que todos os acidentados estejam bem e recuperados.

2 comentários:

Candido disse...

Um agradecimento formal ao meu colega e companheiro de jornada, nesta aventura que foi a Maratona de Portalegre.
Graças a ele e a motivação que me foi dando a longo do percurso, consegui ir na roda dele, por muitas subidas que me faziam derrotado só de olhar o tamanho dela, e que muitas vezes, me questionava o que estava ali a fazer, a sofrer, mas no fim compensa olhar para a meta e dizer, esta já esta, e sem azares.
Venham outras, e de preferencia com colegas que transmitam um apoio moral que foi a minha força animica.
Obrigado .......

paulo disse...

Espero um dia fazer o que muitos fizeram, ate la vou lendo os relatos daqui dos amigos companheiros e de outros que la passaram, um abraço e muita pedalada.